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Tesouro Direto para iniciantes: títulos, custos e riscos

Tesouro Direto para iniciantes explicado com calma. Conheça Selic, Prefixado, IPCA+, Renda+ e Educa+, entenda a marcação a mercado e os custos.

Equipe OttoAtualizado em 10 min de leitura

Resposta rápida

Tesouro Direto é o programa que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos federais pela internet, com pouco dinheiro. Você empresta ao governo e recebe juros. Os principais títulos são Tesouro Selic, Prefixado, IPCA+, Renda+ e Educa+. Há IR regressivo e taxa de custódia da B3, e os preços oscilam antes do vencimento.

Pontos-chave

  • No Tesouro Direto você empresta dinheiro ao governo federal, com risco de crédito considerado o menor do país.
  • Tesouro Selic é o título de menor oscilação e costuma ser usado para reserva de emergência.
  • Prefixado e IPCA+ podem valer menos que o pago se vendidos antes do vencimento, por causa da marcação a mercado.
  • Renda+ e Educa+ pagam rendas mensais corrigidas pela inflação para aposentadoria e educação.
  • IR regressivo e taxa de custódia da B3 entram na conta; confira as regras vigentes no site oficial.
Neste artigo
  1. O que é o Tesouro Direto
  2. Os títulos disponíveis, um por um
  3. Marcação a mercado: por que o preço muda todo dia
  4. Custos e impostos
  5. Como escolher o título para cada objetivo
  6. Erros comuns de iniciantes
  7. Como o Otto ajuda
  8. Fontes oficiais e leituras
  9. Perguntas frequentes

Você já ouviu que o Tesouro Direto é o investimento mais seguro do país, que dá para começar com pouco dinheiro e que é uma alternativa melhor que a poupança. Aí entra no site, vê nomes como Tesouro IPCA+ 2035, Tesouro Prefixado com Juros Semestrais e Tesouro Renda+, e a confiança vai embora. Pior: alguém conta que "perdeu dinheiro no Tesouro" e você não entende como.

A boa notícia é que a lógica é simples quando separada em partes. São poucos tipos de título, cada um feito para um tipo de objetivo. E aquela história de perder dinheiro tem nome e explicação: marcação a mercado. Entendendo isso, você evita o erro mais comum de quem começa.

Neste guia você vai ver o que é o Tesouro Direto, como funciona cada título, o que é marcação a mercado com um exemplo em reais, quais são os custos e impostos e como escolher o título certo para cada objetivo. Todas as taxas são hipotéticas; as atuais você confere no site oficial do Tesouro Direto.

O que é o Tesouro Direto

O Tesouro Direto é um programa do Tesouro Nacional, em parceria com a B3, que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos federais pela internet. Ao comprar um título, você empresta dinheiro ao governo federal, que se compromete a devolver com juros em condições definidas na compra.

Alguns pontos básicos:

  • Risco de crédito: o título é dívida do governo federal, considerado o menor risco de crédito da economia brasileira. Por isso ele não tem cobertura do FGC, que protege depósitos em bancos. Veja a diferença em FGC: como funciona.
  • Como acessar: pelo site ou app do Tesouro Direto, ligado a uma instituição financeira habilitada (banco ou corretora), que faz a custódia dos títulos em seu CPF.
  • Valor mínimo: dá para começar com valores baixos, porque é possível comprar frações dos títulos. Confira o valor mínimo de cada título na página de preços e taxas.
  • Liquidez: o Tesouro Nacional recompra os títulos em dias úteis, pelo preço do momento. Os horários e o prazo de crédito do dinheiro estão nas regras do site.

Os títulos disponíveis, um por um

Tesouro Selic

É um título pós-fixado que acompanha a taxa Selic, definida pelo Copom do Banco Central. É o mais simples e o que menos oscila de preço. Por isso é muito usado para reserva de emergência e objetivos de curto prazo. Pode haver pequenas variações de preço, e em poucos dias o rendimento pode até parecer ligeiramente negativo, mas a tendência é de valorização constante. Como a Selic e o CDI andam juntos, ele é comparável a um CDB a cerca de 100% do CDI; entenda essa régua em o que é CDI.

Tesouro Prefixado

Paga uma taxa fixa definida na compra. Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento: o título vale R$ 1.000 na data final. Existe a versão que paga tudo no vencimento e a versão com juros semestrais, que paga cupons a cada seis meses. Faz sentido para objetivos com data definida, desde que você mantenha até o fim.

Tesouro IPCA+

Paga a variação da inflação medida pelo IPCA mais uma taxa real fixa. Protege o poder de compra no longo prazo. Também existe a versão com juros semestrais. É muito usado para objetivos longos, como aposentadoria ou a faculdade dos filhos. Para entender o índice, veja IPCA e inflação.

Tesouro Renda+ (Aposentadoria Extra)

É um título atrelado ao IPCA desenhado para a aposentadoria. Você acumula durante os anos de trabalho e, a partir da data escolhida, recebe uma renda mensal corrigida pela inflação por 20 anos (240 parcelas). Cada título tem um ano de início da renda, e você escolhe o que combina com a idade em que pretende parar. Há regras específicas para venda antes da conversão em renda e para taxa de custódia; confira no site oficial antes de comprar.

Tesouro Educa+

Funciona de forma parecida com o Renda+, mas voltado para educação. Você acumula até a data escolhida e depois recebe 60 parcelas mensais (5 anos) corrigidas pela inflação, pensadas para pagar faculdade ou outro curso. Assim como no Renda+, cada título tem um ano de início das parcelas, e as regras de venda antecipada e de custódia estão no site oficial.

TítuloComo rendeOscilação antes do vencimentoUso típico
Tesouro SelicAcompanha a SelicMuito baixaReserva de emergência, curto prazo
Tesouro PrefixadoTaxa fixaMédia a altaObjetivo com data, se levar até o fim
Tesouro IPCA+IPCA + taxa fixaAlta, sobretudo nos longosAposentadoria, objetivos longos
Tesouro Renda+IPCA + taxa, paga renda mensal por 20 anosAlta na fase de acumulaçãoComplemento da aposentadoria
Tesouro Educa+IPCA + taxa, paga renda mensal por 5 anosAlta na fase de acumulaçãoEducação dos filhos ou própria

Marcação a mercado: por que o preço muda todo dia

Esse é o conceito que mais assusta iniciantes. Todo dia, os títulos têm o preço recalculado de acordo com as taxas que o mercado está pedindo naquele momento. Isso é a marcação a mercado.

A regra geral:

  • Se as taxas de juros do mercado sobem, os títulos já emitidos com taxa menor perdem valor. Ninguém pagaria o mesmo preço por um título que rende menos que os novos.
  • Se as taxas caem, os títulos antigos, que pagam mais, se valorizam.

Isso afeta muito Prefixados e IPCA+ (e Renda+ e Educa+ na acumulação), e quase nada o Tesouro Selic. Quanto mais longo o título, maior o efeito.

O ponto mais importante: se você ficar até o vencimento, recebe exatamente a taxa contratada, independentemente do sobe e desce no meio do caminho. A marcação a mercado só vira ganho ou perda de fato se você vender antes.

Exemplo em reais com um Tesouro Prefixado

Para simplificar, vamos usar anos inteiros e ignorar a taxa de custódia. O cálculo oficial usa dias úteis, mas a lógica é a mesma.

Você compra um Tesouro Prefixado que vence em 3 anos e paga 12% ao ano (taxa hipotética). Ele vale R$ 1.000 no vencimento. O preço de compra é R$ 1.000 ÷ 1,12³ = R$ 711,78.

Um ano depois, faltam 2 anos. O preço depende da taxa que o mercado pede nesse dia:

Taxa do mercado após 1 anoPreço de vendaGanho brutoIR (17,5%)Ganho líquido
Caiu para 10%R$ 826,45R$ 114,67R$ 20,07R$ 94,60
Ficou em 12%R$ 797,19R$ 85,41R$ 14,95R$ 70,47
Subiu para 14%R$ 769,47R$ 57,69R$ 10,10R$ 47,59

O preço de venda é R$ 1.000 dividido por (1 + taxa)². Com a taxa a 14%, você ainda teve ganho, mas bem menor que os 12% ao ano esperados. Em cenários de alta forte, ou com títulos mais longos, o preço de venda pode ficar abaixo do valor pago, e aí sim há prejuízo.

Agora, se você ficar até o vencimento, recebe R$ 1.000. O ganho bruto é R$ 288,22. Como o prazo passou de 720 dias, o IR é de 15%: R$ 43,23. O ganho líquido fica em R$ 244,99 por título, seja qual for a taxa do mercado no meio do caminho.

Custos e impostos

Imposto de Renda e IOF

Os títulos seguem a tabela regressiva da renda fixa: 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima de 720 dias. O imposto incide só sobre o rendimento e é retido na fonte. Resgates em menos de 30 dias pagam também IOF regressivo sobre o rendimento. Nos títulos com juros semestrais, cada cupom é tributado na data do pagamento, com a alíquota correspondente ao tempo desde a compra. Detalhes em Imposto de Renda na renda fixa.

Taxa de custódia da B3

A B3 cobra uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, descontada de forma proporcional. Existem isenções em alguns casos, como para valores menores no Tesouro Selic, e regras próprias para Renda+ e Educa+. As regras mudam de tempos em tempos, então confira a regra vigente no site do Tesouro Direto.

Taxa da instituição

A instituição financeira pode cobrar uma taxa própria pela custódia, mas muitas não cobram. Vale verificar antes de escolher onde investir.

Exemplo rápido com o Tesouro Selic

Suponha R$ 10.000 no Tesouro Selic por um ano, com a Selic em 10% ao ano (hipotético). O rendimento bruto seria de cerca de R$ 1.000. O IR de 17,5% leva R$ 175 e sobram R$ 825. Se não houver isenção aplicável, a taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre um saldo médio perto de R$ 10.500 custaria cerca de R$ 21 no período. O ganho final ficaria por volta de R$ 804.

Como escolher o título para cada objetivo

  • Reserva de emergência: Tesouro Selic, pela baixa oscilação e liquidez diária. Uma alternativa é CDB com liquidez diária em banco coberto pelo FGC.
  • Objetivo em 2 a 5 anos com data definida (carro, entrada de imóvel, viagem): Prefixado ou IPCA+ com vencimento próximo da data, mantido até o fim. Se a data é incerta, Tesouro Selic.
  • Aposentadoria: IPCA+ de prazo longo ou Renda+, que já entrega a renda mensal corrigida pela inflação.
  • Faculdade dos filhos: Educa+ ou IPCA+ com vencimento perto do início do curso.
  • Quem precisa de renda periódica: versões com juros semestrais, lembrando que o imposto é cobrado a cada cupom.

Erros comuns de iniciantes

  • Comprar um IPCA+ longo para a reserva de emergência e ter que vender numa hora em que o preço caiu.
  • Olhar o extrato e achar que "perdeu dinheiro" por causa da marcação a mercado, vendendo no pior momento.
  • Esquecer que a rentabilidade divulgada é bruta, antes do IR e da custódia.
  • Comprar títulos com juros semestrais sem precisar da renda, aumentando o imposto pago ao longo do caminho.
  • Confiar em taxa vista em vídeo ou post antigo. Confira sempre no site oficial.

Como o Otto ajuda

O Otto reúne, em modo somente leitura via Open Finance, suas contas, caixinhas e investimentos de diferentes instituições, e ajuda a separar reserva de emergência, investimentos e aposentadoria com um valor ideal sugerido a partir do seu histórico. Ele não compra nem vende títulos e não é consultoria de investimentos: a escolha do título é sua, com base nas regras oficiais do Tesouro Direto.

Fontes oficiais e leituras

Perguntas frequentes

Tesouro Direto é seguro?

O Tesouro Direto tem o menor risco de crédito do país, porque os títulos são dívida do governo federal. Ele não tem cobertura do FGC, mas isso não é necessário pelo tipo de emissor. O risco que existe é de mercado: Prefixados e IPCA+ podem valer menos que o pago se vendidos antes do vencimento. Levando até o fim, você recebe a taxa contratada.

Quanto preciso para começar no Tesouro Direto?

É possível começar com valores baixos, porque o sistema permite comprar frações dos títulos. O valor mínimo depende do preço de cada título e das regras vigentes, e aparece na página de preços e taxas do Tesouro Direto. Você precisa de conta em uma instituição financeira habilitada, que faz a custódia dos títulos no seu CPF.

Qual a diferença entre Tesouro Selic, Prefixado e IPCA+?

O Tesouro Selic acompanha a taxa Selic e quase não oscila, servindo para reserva e curto prazo. O Prefixado paga uma taxa fixa conhecida na compra e vale R$ 1.000 no vencimento. O IPCA+ paga a inflação mais uma taxa fixa, protegendo o poder de compra no longo prazo. Prefixado e IPCA+ oscilam mais antes do vencimento.

Dá para perder dinheiro no Tesouro Direto?

Dá, se você vender um Prefixado ou IPCA+ antes do vencimento num momento em que as taxas de juros do mercado subiram. Isso acontece por causa da marcação a mercado, que recalcula o preço todo dia. Mantendo o título até o vencimento, você recebe a rentabilidade contratada. O Tesouro Selic tem oscilação muito pequena e raramente gera esse tipo de perda.

Vale a pena o Tesouro Renda+ para aposentadoria?

Pode valer para quem quer uma renda mensal corrigida pela inflação por 20 anos a partir de uma data escolhida, como complemento ao INSS. Ele é de longo prazo e oscila bastante na fase de acumulação, então não serve para dinheiro que pode ser necessário antes. Confira as regras de resgate antecipado e de custódia no site do Tesouro Direto.

Tesouro Selic ou CDB para a reserva de emergência?

Os dois funcionam. O Tesouro Selic tem risco do governo federal e liquidez diária. Um CDB de liquidez diária a cerca de 100% do CDI, em instituição coberta pelo FGC, rende parecido e às vezes não tem taxa de custódia. Compare o rendimento líquido, a facilidade de resgate e os custos. Dividir a reserva entre os dois também é uma opção.

Equipe Otto

Revisão: Equipe editorial do Otto Finanças

Somos o time que constrói o Otto Finanças, um app de finanças pessoais e do casal, grátis para começar, com Open Finance. Escrevemos guias com base em fontes oficiais (Banco Central, Receita Federal, Tesouro Direto, B3, FGC) e em como as pessoas realmente lidam com dinheiro.

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Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.

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