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O que é CDB e como funciona: rendimento, imposto e riscos

Entenda o que é CDB, como funciona o rendimento pós, pré e IPCA+, quanto de imposto você paga, o papel do FGC e como escolher a liquidez certa.

Equipe OttoAtualizado em 9 min de leitura

Resposta rápida

CDB, ou Certificado de Depósito Bancário, é um título em que você empresta dinheiro a um banco e recebe juros em troca. Pode ser pós-fixado, prefixado ou atrelado à inflação, tem Imposto de Renda regressivo sobre o rendimento e conta com a garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição.

Pontos-chave

  • No CDB você empresta dinheiro ao banco, que devolve o valor com juros no prazo combinado.
  • Existem CDBs pós-fixados (percentual do CDI), prefixados e atrelados ao IPCA.
  • O IR vai de 22,5% a 15% sobre o rendimento, conforme o tempo aplicado, e é retido na fonte.
  • O FGC cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado, dentro das regras.
  • Liquidez diária, carência e vencimento mudam muito o uso de cada CDB.
Neste artigo
  1. O que é CDB
  2. Os três tipos de rentabilidade do CDB
  3. Liquidez: quando você pode tirar o dinheiro
  4. Imposto de Renda e IOF no CDB
  5. Exemplo em reais: quanto rende um CDB a 100% do CDI
  6. FGC: a rede de proteção do CDB
  7. Como escolher um CDB: checklist prático
  8. Como o Otto ajuda
  9. Fontes oficiais e leituras
  10. Perguntas frequentes

O CDB é provavelmente o investimento mais oferecido nos apps de banco. Aparece na tela inicial, nas caixinhas, nas notificações. Mesmo assim, muita gente aplica sem saber direito o que está comprando: quanto vai render, quando pode sacar, quanto de imposto vai pagar e o que acontece se o banco tiver problemas.

Essa falta de clareza custa caro de dois jeitos. Tem quem deixe o dinheiro parado na conta corrente por medo, perdendo para a inflação. E tem quem escolha o CDB de maior taxa sem perceber que só pode resgatar daqui a quatro anos, ou que o valor passou do limite de garantia.

Neste guia você vai entender o que é CDB, os tipos de rentabilidade, como funciona a liquidez, quanto de imposto incide, qual o papel do FGC e como comparar ofertas. Tem tabela e exemplo em reais com taxas hipotéticas, para você conseguir fazer a conta sozinho depois.

O que é CDB

CDB significa Certificado de Depósito Bancário. É um título de renda fixa emitido por bancos para captar dinheiro. Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro ao banco. Ele usa esses recursos para fazer empréstimos e financiamentos a outros clientes, e em troca paga juros a você.

As regras do empréstimo ficam definidas na hora da compra:

  • Rentabilidade: quanto o banco vai pagar, por exemplo 100% do CDI ou 12% ao ano.
  • Prazo de vencimento: quando o banco devolve o dinheiro com os juros.
  • Liquidez: se você pode resgatar antes do vencimento e a partir de quando.
  • Valor mínimo: há CDBs a partir de valores bem baixos.

Existe um primo muito parecido, o RDB (Recibo de Depósito Bancário). A diferença principal é que o RDB não pode ser negociado com outros investidores no mercado secundário. Para o investidor comum, o funcionamento, o imposto e a cobertura do FGC são semelhantes.

Os três tipos de rentabilidade do CDB

Pós-fixado

O rendimento acompanha um índice, quase sempre o CDI. Um CDB a "100% do CDI" rende a taxa do CDI do período. Se a Selic sobe, o CDI sobe e o CDB passa a render mais; se cai, rende menos. É o tipo mais usado para reserva de emergência, quando tem liquidez diária. Se o CDI ainda é um conceito nebuloso, o guia o que é CDI explica a régua por trás desses percentuais.

Prefixado

A taxa é fixa e conhecida desde o primeiro dia, por exemplo 12% ao ano (valor ilustrativo). Você sabe exatamente quanto terá no vencimento, antes do imposto. A vantagem é a previsibilidade. A desvantagem é que, se os juros do mercado subirem depois da compra, você continua recebendo a taxa antiga, e um resgate antecipado pode sair com desconto.

Atrelado à inflação (IPCA+)

Paga a variação do IPCA, a inflação oficial medida pelo IBGE, mais uma taxa fixa. Por exemplo, IPCA + 6% ao ano (ilustrativo). Protege o poder de compra no longo prazo. Costuma ter prazos mais longos e pouca ou nenhuma liquidez antes do vencimento.

TipoVocê sabe o rendimento na compra?Ganha com juros subindo?Uso comum
Pós-fixado (% do CDI)Não, só o percentualSim, o rendimento acompanhaReserva, objetivos sem data
PrefixadoSim, a taxa totalNão, fica com a taxa contratadaObjetivo com data definida
IPCA+Só a parte acima da inflaçãoParcialmente, via inflaçãoObjetivos longos, aposentadoria

Liquidez: quando você pode tirar o dinheiro

Liquidez é a facilidade de transformar o investimento em dinheiro na conta. No CDB ela varia bastante, e é o ponto que mais causa arrependimento.

  • Liquidez diária: pode resgatar em qualquer dia útil, com o rendimento acumulado até ali. É o formato das caixinhas e de muitos CDBs pós-fixados de banco digital.
  • Liquidez após carência: só permite resgate depois de um período, por exemplo 90 dias. Depois disso, costuma virar diária.
  • Liquidez no vencimento: o dinheiro fica travado até a data final. Em geral paga taxas maiores justamente por isso.

Alguns CDBs sem liquidez podem ser vendidos no mercado secundário pela corretora, mas não há garantia de comprador nem de preço. Em prefixados e IPCA+, o valor de venda antes do prazo depende dos juros do momento e pode ficar abaixo do que você esperava.

Imposto de Renda e IOF no CDB

O CDB segue a tabela regressiva de Imposto de Renda da renda fixa. O imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor que você aplicou, e é retido na fonte pelo banco. Você não precisa gerar guia nem pagar nada à parte.

Tempo de aplicaçãoAlíquota de IR sobre o rendimento
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Além disso, resgates com menos de 30 dias pagam IOF regressivo sobre o rendimento, que começa alto e zera no 30º dia. Na prática, quase todo o rendimento dos primeiros dias pode ir embora em IOF. Detalhes e exemplos estão no artigo sobre Imposto de Renda na renda fixa.

Na declaração anual, o saldo do CDB é informado em Bens e Direitos e o rendimento resgatado entra como rendimento de tributação exclusiva. O banco envia o informe de rendimentos com os valores.

Exemplo em reais: quanto rende um CDB a 100% do CDI

Suponha que você aplique R$ 5.000 em um CDB pós-fixado a 100% do CDI, com liquidez diária, e que o CDI fique em 10% ao ano durante todo o período. A taxa é hipotética e foi escolhida só para facilitar a conta. Para simplificar, usamos dias corridos; no cálculo real o CDI acumula por dias úteis e o resultado muda alguns centavos ou poucos reais.

Prazo do resgateValor brutoRendimento brutoAlíquota de IRIR retidoRendimento líquido
90 diasR$ 5.118,90R$ 118,9022,5%R$ 26,75R$ 92,15
180 diasR$ 5.240,62R$ 240,6222,5%R$ 54,14R$ 186,48
365 diasR$ 5.500,00R$ 500,0017,5%R$ 87,50R$ 412,50
730 diasR$ 6.050,00R$ 1.050,0015%R$ 157,50R$ 892,50
1.095 diasR$ 6.655,00R$ 1.655,0015%R$ 248,25R$ 1.406,75

Leitura rápida: em um ano, o ganho líquido foi de R$ 412,50, ou 8,25% sobre os R$ 5.000. A partir de 721 dias, o imposto cai para 15% e a fatia que fica com você aumenta.

E se fosse um CDB prefixado?

Agora imagine um CDB prefixado a 12% ao ano (taxa ilustrativa) por 3 anos, com os mesmos R$ 5.000 e liquidez só no vencimento. O cálculo é R$ 5.000 × 1,12 × 1,12 × 1,12 = R$ 7.024,64. O rendimento bruto é R$ 2.024,64. Com IR de 15%, são R$ 303,70 de imposto, e sobram R$ 1.720,94 de ganho líquido.

Essa conta só vale se você ficar até o fim. Se precisar do dinheiro antes, pode não conseguir resgatar ou ter que vender com desconto. E ela só é melhor que o pós-fixado se o CDI médio do período ficar abaixo de 12%, algo que ninguém sabe com certeza no dia da compra.

FGC: a rede de proteção do CDB

O CDB é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos. Se a instituição emissora quebrar ou sofrer intervenção do Banco Central, o FGC garante até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado financeiro, somando principal e rendimentos dentro das regras. Existe também um teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos para as garantias pagas a uma mesma pessoa.

Isso não quer dizer que todo risco some. O pagamento do FGC leva algum tempo, e o valor que passar do limite pode ser perdido ou demorar muito para ser recuperado. Se você tem valores altos, dividir entre conglomerados diferentes é uma prática comum. O guia sobre como funciona o FGC mostra exemplos com casais e contas conjuntas.

Como escolher um CDB: checklist prático

  1. Defina o objetivo e o prazo antes de olhar taxas. Reserva, viagem, entrada de imóvel e aposentadoria pedem CDBs diferentes.
  2. Confira a liquidez: diária, carência ou só no vencimento. Leia o campo "data de resgate" antes de confirmar.
  3. Compare na base líquida, em reais, no prazo que você realmente pretende ficar. Lembre que LCI e LCA não pagam IR e podem render mais mesmo com percentual menor.
  4. Veja o emissor e o conglomerado para controlar o limite do FGC. Dois bancos do mesmo grupo contam juntos.
  5. Desconfie de taxas muito acima da média sem explicação clara. Taxa alta costuma pagar por algum risco ou restrição.
  6. Não aplique dinheiro que vai precisar em menos de 30 dias em nada que cobre IOF, se puder evitar.

Erros comuns

  • Colocar a reserva de emergência em CDB com vencimento longo porque "rende mais".
  • Esquecer que caixinhas de banco digital geralmente são CDBs ou RDBs e, portanto, também pagam IR.
  • Somar valores em bancos do mesmo conglomerado achando que cada um tem R$ 250 mil de garantia separada.
  • Comparar 110% do CDI com 95% de uma LCA sem considerar o imposto.

Para decidir onde fica o dinheiro de emergência especificamente, veja onde guardar a reserva de emergência.

Como o Otto ajuda

O Otto reúne, em modo somente leitura via Open Finance, as aplicações e caixinhas que você tem em diferentes bancos. Assim fica mais fácil ver quanto está em cada instituição e perceber quando um conglomerado concentra valores perto do limite do FGC. O comparador de CDB calcula o rendimento líquido em reais para prazos e percentuais diferentes. O Otto não é banco nem consultoria de investimentos: a decisão é sempre sua.

Fontes oficiais e leituras

Perguntas frequentes

CDB é seguro?

O CDB é considerado de baixo risco quando o valor fica dentro da cobertura do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos. O risco existe, porque depende da saúde do banco emissor, mas a garantia reduz muito a chance de perda para valores dentro do limite.

Quanto rende R$ 1.000 em um CDB?

Depende do percentual do CDI, do valor do CDI e do prazo. Num exemplo hipotético com CDI de 10% ao ano e CDB a 100% do CDI, R$ 1.000 renderiam cerca de R$ 100 brutos em um ano. Com IR de 17,5%, ficariam R$ 82,50 líquidos. Para saber o valor atual, confira a taxa DI na B3 e simule com a taxa vigente.

Qual a diferença entre CDB e poupança?

A poupança é isenta de IR para pessoa física e rende 0,5% ao mês mais TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, ou 70% da Selic mais TR quando está igual ou abaixo. Ela só rende no aniversário mensal. O CDB paga IR, mas rende todo dia útil e, com percentual perto de 100% do CDI, costuma superar a poupança quando a Selic está alta.

Posso resgatar o CDB antes do vencimento?

Só se ele tiver liquidez diária ou se a carência já tiver passado. CDBs com liquidez apenas no vencimento travam o dinheiro até a data final. Alguns podem ser vendidos no mercado secundário pela corretora, mas sem garantia de comprador e com preço que pode ficar abaixo do esperado. Confira a data de resgate antes de aplicar.

CDB de liquidez diária serve para reserva de emergência?

Serve, desde que seja de instituição coberta pelo FGC, com rendimento perto de 100% do CDI e resgate em qualquer dia útil. Essas características juntam segurança, acesso rápido e rendimento razoável. Evite CDBs com carência ou vencimento longo para a reserva, mesmo que paguem mais, porque o objetivo do dinheiro é estar disponível quando o imprevisto chegar.

Preciso declarar CDB no Imposto de Renda?

Sim, se você estiver obrigado a declarar. O saldo em 31 de dezembro vai em Bens e Direitos, e os rendimentos resgatados no ano entram como rendimentos de tributação exclusiva, já que o IR foi retido na fonte. O banco ou a corretora envia o informe de rendimentos com os valores. Confira as instruções atualizadas no site da Receita Federal.

Equipe Otto

Revisão: Equipe editorial do Otto Finanças

Somos o time que constrói o Otto Finanças, um app de finanças pessoais e do casal, grátis para começar, com Open Finance. Escrevemos guias com base em fontes oficiais (Banco Central, Receita Federal, Tesouro Direto, B3, FGC) e em como as pessoas realmente lidam com dinheiro.

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Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.

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